A visita do Papa Leão XIV ao Centro de Acolhida e Amizade em Bab El Oued abre um caminho de fraternidade e esperança
A visita do Papa Leão XIV ao Centro de Acolhida de Bab El Oued, na Argélia, impulsiona a missão das Agostinianas Missionárias junto a mulheres e crianças.

A visita do Papa Leão XIV ao Centro de Acolhida e Amizade, no município de Bab El Oued (Argélia), deixou uma marca profunda na missão da Igreja e, em particular, na comunidade das Agostinianas Missionárias. É o que relata a Ir. Ana María Guantay, superiora geral, que interpreta este acontecimento como um sinal silencioso, mas profundamente transformador.
“Há momentos na vida que não fazem barulho, mas transformam tudo”, afirma. Para a congregação, a presença do Santo Padre neste lugar representou uma confirmação do caminho percorrido e um chamado a continuar semeando esperança em meio a uma realidade marcada pela fragilidade e pela diversidade cultural e religiosa.
Um lugar com memória evangélica que renasce em Bab El Oued
O atual Centro de Acolhida e Amizade foi, até 1994, uma pequena comunidade onde viviam três religiosas dedicadas ao serviço social. Entre elas, as irmãs Esther e Caridad, que souberam fazer daquele espaço um lar onde a simplicidade cotidiana se transformava em entrega, escuta e amor concreto.
Hoje, esse mesmo lugar renasceu com nova vitalidade. O centro oferece reforço escolar, cursos de idiomas e oficinas nas quais as mulheres aprendem a costurar, tecer, pintar ou fazer bijuterias. Tornou-se assim um espaço de acolhida e promoção humana, onde muitas mulheres e crianças argelinas encontram dignidade, proximidade e um ambiente seguro.
Um espaço de dignidade para mulheres e crianças na Argélia
A Ir. Ana María Guantay pôde comprovar isso pessoalmente em sua recente visita. “Respirava-se um ambiente profundamente humano, de muita alegria, gratidão e emoção”, explica. As mulheres que frequentam diariamente o centro expressam com simplicidade o quanto valorizam este lugar onde se sentem acolhidas, escutadas e reconhecidas.
A partir de suas próprias histórias de vida, marcadas em muitos casos pela vulnerabilidade, encontram no Centro de Acolhida e Amizade um espaço para reconstruir a confiança e abrir novos horizontes. A missão das Agostinianas Missionárias se concretiza assim em gestos cotidianos que tornam visível o Evangelho em meio à sociedade argelina.
O gesto próximo do Papa Leão XIV que comove a comunidade
A visita do Papa Leão XIV foi vivida por essas mulheres como um acontecimento profundamente significativo. Sua proximidade, sua atenção aos trabalhos que realizam e o gesto de levar consigo alguns dos produtos feitos no centro foram interpretados como um reconhecimento de sua dignidade e de seu esforço.
Embora a superiora geral não tenha podido estar presente naquele momento — seu visto chegou no dia seguinte —, o Santo Padre quis recebê-la posteriormente em Hipona. “Foi um gesto cheio de delicadeza”, sublinha, que transformou esse encontro numa experiência fraterna:
“antes de tudo, foi um encontro entre irmãos, vivido num clima de simplicidade, proximidade e afeto sincero”.
Um caminho de fraternidade com o povo muçulmano
Para além do impacto imediato, a Ir. Ana María insiste em que o que foi vivido não pode ficar numa imagem ou numa lembrança. É um chamado a continuar percorrendo um caminho partilhado com o povo argelino, majoritariamente muçulmano: um caminho de amizade, de paz construída no cotidiano e de fraternidade que precisa ser cuidada a cada dia.
Nesse contexto, o Centro de Acolhida e Amizade de Bab El Oued se consolida como um sinal concreto de encontro e diálogo, onde a fé se traduz em serviço e onde a proximidade se torna linguagem universal.
A visita do Papa Leão XIV, mais do que um gesto pontual, apresenta-se assim como um impulso renovado para a missão da Igreja na Argélia: estar junto dos mais vulneráveis, tecer relações de confiança e construir, a partir do simples, uma fraternidade que abre caminhos de esperança.